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Pré-eclâmpsia | Saiba identificar e reduzir os riscos na gestação

ago 01, 2018
CuidadosGestaçãoSaúde e Bem Estar

Doença que acomete mulheres grávidas, geralmente após 20 semanas de gestação, pode acarretar complicações graves, e até fatais para mães e bebês. Síndromes hipertensivas são principal causa de morte materna no Brasil.

A pré-eclâmpsia é um distúrbio que afeta cerca de 8% das mulheres grávidas. Ela pode ser classificada como uma “disfunção dos vasos sanguíneos”, nas palavras do especialista Javier Miguelez.

É uma manifestação associada com aumento da pressão arterial e proteinúria (perda de proteínas na urina), ocorrendo principalmente após a 20ª semana de gestação. O prognóstico pode ser adverso levando ao maior risco de prematuridade e morte fetal. Isso porque a doença impede que o bebê receba a quantidade de nutrientes e de oxigênio necessária para seu desenvolvimento adequado. Já a gestante, pode ter complicações neurológicas, renais, descolamento prematuro da placenta entre outros. Caso a pré-eclâmpsia evolua para eclâmpsia, os riscos para a gestante e o bebê são ainda mais severos.

O diagnóstico da pré-eclâmpsia é difícil, mas os médicos estão cada vez mais atentos e as pesquisas vêm avançando.

Como posso identificar os sinais de pré-eclâmpsia?

Os sinais mais conhecidos são o aumento da pressão arterial e a presença de proteína na urina após 20 semanas de gestação. Mas a pré-eclâmpsia pode existir mesmo sem esses sinais.

Procure imediatamente antendimento médico se:

  • Tiver inchaço grande no rosto ou em volta dos olhos
  • Tiver um inchaço muito grande nas mãos
  • Inchar de repente ou demais nos pés e tornozelos
  • Engordar mais de 2 quilos em uma semana (o que indica retenção de líquido).

Nem todo inchaço na gravidez é sintoma de pré-eclâmpsia, mas é sempre melhor verificar a pressão arterial e outros sinais.

Há algum sintoma que indique uma emergência ligada à pré-eclâmpsia?

Procure atendimento médico imediato se tiver algum dos seguintes sintomas:

  • Dor de cabeça muito forte ou que não passa com analgésicos
  • Alterações na visão (ver luzes, pontinhos, ficar sensível à luz ou perder temporariamente a visão)
  • Náusea e enjoos no segundo ou terceiro trimestre
  • Dor forte no alto da barriga
  • Dificuldade de respirar
  • Pressão alta (com a mínima acima de 90)

A pré-eclâmpsia causa parto prematuro?

O mais comum é que a pré-eclâmpsia apareça depois da 37a semana. Mas, na realidade, pode acontecer em qualquer época da segunda metade da gravidez, incluindo durante o parto ou depois (geralmente nas primeiras 48 horas).

A pré-eclâmpsia pode ter manifestações em vários órgãos da grávida, algumas bem graves, ou na placenta, causando a restrição do crescimento do bebê.

A solução para o problema é fazer o bebê nascer. Por isso, ela pode resultar em um nascimento prematuro. O risco para a mãe permanece, porém, por alguns dias depois do parto, e, em casos mais raros, até quatro semanas pós-parto.

Até é possível ter sintomas de pré-eclâmpsia antes de 20 semanas, mas somente em casos excepcionais, como nos de uma gravidez molar.

A pré-eclâmpsia pode progredir de maneira lenta ou rápida. Os casos rápidos são os mais graves e preocupantes.

Como diagnosticar?

O Sérgio Franco Medicina Diagnóstica é o primeiro laboratório do Rio de Janeiro a contar com exames que auxiliam a prevenção da pré-eclâmpsia, doença na qual a gestante desenvolve principalmente hipertensão e perda de proteínas na urina. Trata-se da dosagem de PLGF (Placental Growth Factor / fator de crescimento placentário) e de PAPP-A (Proteína Plasmática Associada à Gravidez) que permitem a identificação destes biomarcadores no sangue materno antes mesmo dos primeiros sinais clínicos. De acordo com o artigo Pre-eclampsia treatment according to scientific evidence, em países desenvolvidos, aproximadamente 8% das gestantes vão desenvolver pré-eclâmpsia, sendo no Brasil uma das principais causas de morte materna.

O exame de PLGF e PAPP-A contribuem para a triagem de gestantes de alto risco, reduzindo complicações tais como partos prematuros e os custos que estas intercorrências podem ocasionar. Uma boa avaliação no pré-natal está associada com redução de diárias de UTI e otimização do uso de materiais e medicamentos.

Para o ginecologista, obstetra e especialista em medicina fetal do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, Heron Werner, a doença pode ser prevenida com uma intervenção medicamentosa precoce, contribuindo para redução de ocorrências maternas. “A prática estabelecida para o diagnóstico da pré-eclâmpsia é a aferição periódica da pressão arterial e exames laboratoriais. Ambos auxiliam na tomada de decisão do melhor momento para o parto”, afirma. Ainda de acordo com Heron Werner, o exame PLGF, ao avaliar a predisposição para a doença, contribui para o tratamento preventivo com medicamentos, reduzindo pela metade a incidência da doença.

Dentre as estratégias medicamentosas que visam a prevenção da anormalidade está a indicação de uso de AAS (Ácido acetilsalicílico) a partir da 16ª semana da gravidez, podendo reduzir em cerca de 50% a ocorrência de pré-eclâmpsia em pacientes de alto risco. De acordo com estudo da (ASPRE Trial), o medicamento apresentou benefício maior que 50% para mulheres que já possuem risco elevado detectado pelos níveis de PLGF e PAPP-A, chegando a 82% de redução da anormalidade.

O PLGF e o PAPP-A podem ser realizados em qualquer unidade do Sérgio Franco por meio da coleta de exames de sangue materno, que não oferecem nenhum risco à saúde da gestante ou do bebê. Os especialistas recomendam que a coleta seja realizada a partir da 11ª semana da gestação, fase em que já é possível indicar a probabilidade de desenvolvimento de doenças.

A triagem efetiva para a pré-eclâmpsia é realizada pela combinação de três fatores. Primeiro com os marcadores biofísicos que analisam a pressão arterial média (PAM) e índice de pulsatilidade das artérias uterinas (IP) ao Doppler colorido; segundo com os marcadores bioquímicos (PLGF e PAPP-A). E, por último, informações sobre a gestante como idade, peso, etnia e histórico de saúde e de gestações anteriores.

Qual é o tratamento para a pré-eclâmpsia?

Se você tiver pré-eclâmpsia, terá de medir sua pressão com frequência e fazer exames de urina, para verificar a presença de proteína.

Hormônios podem ser medidos no seu sangue para avaliar o risco de agravamento da pré-eclâmpsia. Além disso, outros exames podem ser realizados para avaliar outros órgãos, como o funcionamento do fígado.

Se os médicos considerarem que há riscos, é possível que você seja internada e receba remédios para controlar o problema (que não prejudicarão o bebê).

O médico poderá receitar uma alimentação com restrição de sal e açúcar.

O bebê também será monitorado e a, qualquer sinal de que ele não está crescendo como deveria ou que o volume de líquido amniótico esteja diminuindo, ou ainda se o seu estado piorar, o médico vai realizar o parto.

Isso pode ser feito mesmo que seja antes da hora, por cesariana ou indução do parto normal.

A única “cura” para a pré-eclâmpsia é o nascimento do bebê. Mas a mãe continua a ser observada depois que o bebê nasce, até na UTI, porque ainda há algum risco para ela nos dias seguintes.

O que vai acontecer com a pré-eclâmpsia depois que o bebê nascer?

Depois do parto, a pressão arterial normalmente volta ao normal, mas pode ser que leve semanas para isso acontecer. O inchaço nas mãos e nos pés também pode permanecer por algum tempo.

Nas primeiras 48 horas depois do parto sua saúde será monitorada de perto, e será preciso dar atenção à pressão por algum tempo depois que você for para casa.

Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia têm de monitorar bem a saúde vascular e cardíaca, porque há uma tendência a problemas no longo prazo.

Quais são os riscos da pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia pode ser leve ou grave. Quando se torna grave, pode afetar vários sistemas do corpo da mulher. Como ela reduz o fluxo de sangue para a placenta, é perigosa para o bebê, restringindo o crescimento dele.

Além disso, se a pré-eclâmpsia evoluir para a eclâmpsia, a pressão arterial sobe demais, colocando mãe e bebê em grande risco.

A eclâmpsia pode causar convulsões, que podem levar ao coma e até ser fatais. Quando acontece, a eclâmpsia ocorre no finalzinho da gravidez ou logo depois do parto.

Uma outra complicação é a síndrome de Hellp, que provoca problemas sanguíneos e dificulta a coagulação do sangue.

Há pessoas mais propensas à pré-eclâmpsia?

Embora a causa exata da pré-eclâmpsia não seja conhecida, já foram definidos fatores de risco. A probabilidade é maior na primeira gravidez ou quando há um espaço de pelo menos dez anos entre duas gestações.

Também elevam o risco:

  • Idade acima de 40 anos ou abaixo de 20 anos
  • Obesidade antes da gravidez, com um IMC de 30 ou mais
  • Problema crônico de saúde que afete o sistema circulatório, como hipertensão, lúpus, problemas renais ou diabete
  • Gravidez de gêmeos ou mais
  • Parente próximo com histórico de pré-eclâmpsia (especialmente mãe ou irmã)
  • Diagnóstico anterior de pré-eclâmpsia — uma em cada cinco mulheres apresenta o problema de novo
  • Se o parceiro for diferente entre uma gravidez e outra, a mulher volta a ter risco como se fosse uma primeira gestação, mesmo que não tenha apresentado pré-eclâmpsia.

Fatores de risco

As grávidas devem se atentar aos fatores de risco que podem resultar em pré-eclâmpsia, como primeira gestação, gravidez após os 40 anos, ocorrência da doença em parentes de 1º grau, gravidas fumantes, mulheres que sofrem com hipertensão, insuficiência renal, diabetes ou síndrome antifosfolipídeo, gestação gemelar e também gravidez depois de dez anos do nascimento do último filho.

Fonte: Sergio Franco | Baby Center

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