Oficina das Noivas

Relato de Amamentação | Minha Experiência

ago 01, 2018
AmamentaçãoAPLVHistórias da Vida Real

Hoje é o dia mundial da amamentação!

Nooossa! Veio a memória toda a minha trajetória antes, durante e depois deste processo de amamentação, e resolvi contar um pouquinho da minha experiência para vocês.

Lembrei dos meus sonhos, enquanto esperava incessantemente, Sophie chegar, antes mesmo de estar dividindo o meu corpo com ela. E mesmo sabendo através de histórias que na vida real, tudo pode (quase sempre) não ser da forma que sonhamos, mesmo assim me agarrava ao desejo de amamentar minha filha em livre demanda até os 2 anos. Era algo importante para mim e me fazia bem sonhar desta forma.

Quando descobrimos a gravidez, este desejo só se intensificou e fazia planos e mais planos, me preparei, fiz todos os procedimentos, usei tudo o que podia imaginar para não ter meus seios machucados, pois só de pensar nisso, já me causava terror.

Funcionou! Quando Sophie nasceu, a primeira pega foi perfeita, tive orientação de uma especialista em amamentação, meus seios não racharam. Estava nas nuvens.

3 dias após seu nascimento, tudo começou a desandar, amamentar passou a ser um desafio. As mamadas eram todas bem traumáticas, Sophie mamava gritando e começaram a ser seguidas por vômitos horrendos, de lavar o chão.

Eu não entendia o que estava acontecendo. Em meu corpo não sentia nada, meus seios estavam perfeitos. Lá para o quinto dia de amamentação, já estava produzindo bastante leite. Mas Sophie estava extremamente desconfortável e aquilo estava me matando por dentro, a angustia e a impotência tomaram conta de mim, mas me mantive forte por ela e fomos em busca de respostas.

Com 7 dias de vida, descobrimos a APLV. Até então uma doença desconhecida para nós, não sabíamos lidar com a situação, mas eu estava disposta a fazer o que fosse preciso para mudar aquele quadro. Tudo o que eu queria era ver a minha filha tendo um momento de amamentação tranquilo, sem que o meu leite descesse sobre sobre a sua garganta rasgando tudo. Tudo o que eu queria era ver minha filha sem sentir dor e queria ter todo aquele momento de conexão que pode existir neste momento entre a mãe e a sua cria.

Depois que descobrimos, fomos em busca de tratamento. E lá fomos nós montar uma equipe de Nutricionistas para mim e Sophie, Gastro-pediatra e Pediatra para ela.

Graças a Deus tivemos muita sorte, pois montamos a equipe mais incrível do planeta. E já na primeira fase do tratamento mudamos totalmente nossos hábitos e, montamos junto com os médicos um esquema de alimentação totalmente restrito de proteína do leite e derivados. Nos 30 primeiros dias eu precisaria abster até da proteína da carne, para que o meu organismo pudesse passar por um processo de desintoxicação. Continuei com a dieta restritiva, e retirava o meu leite na bomba de 2 em 2 horas, para esvaziar e descartar o leite intoxicado. Foi muito difícil repetir este processo diário. Mas tudo para que Sophie pudesse sair da crise e eu não precisasse interromper 100% a amamentação.

Neste período tivemos que introduzir o LA Neocate e ficamos mesclando entre ele e LA, até o fim do tratamento. Findo este longo período, retomamos as mamadas 100% LM. Parecia que tudo estava indo bem, finalmente estava vivendo o meu sonho, eu pensei. Sophie não mais chorava durante as mamadas, não vomitava, não tinham mais placas vermelhas por todo o seu corpo. Mas logo percebi que não tinha mais a mesma produção de antes, e mesmo com o estímulo da sucção da boquinha da Sophie, a produção perdeu a qualidade aos poucos, e foi perdendo e perdendo. Não produzia mais a quantidade suficiente para saciar sua fome, então tive que mais uma vez voltar a complementar as mamadas do LM, com LA.

Durante este processo, realizamos diversos testes para acompanhar o seu progresso, embora o refluxo estivesse controlado, as manchas e a irritação extintas, descobrimos sangue nas fezes.

E no meio disso tudo, como se não bastasse, mais um momento traumático. Tive infecção urinária, daquelas bem fortes, com uma bactéria bem difícil de eliminar, contraída através da sonda no hospital.

Durante o tratamento, tive que interromper mais uma vez a amamentação. Continuei com a dieta restritiva, e retirava o meu leite na bomba de 2 em 2 horas, para esvaziar o peito, e estimular a produção do leite. Retirava 120 ml de cada peito, e descartava em seguida. Mas uma vez estava eu repetindo o mesmo processo, que foi ainda mais difícil do que da primeira vez.

Parecia que meu mundo ia acabar, sentia muitas dores no corpo e acima de tudo, na alma. Nada fazia sentido.

Meu Deus o que estava acontecendo, porque simplesmente eu não conseguia amamentar a minha filha? Cheguei até me cobrar, e fazer um milhão de perguntas, que não sabia nenhuma das respostas.

A sensação era de que havia voltado para a estaca zero. Todo aquele sentimento de impotência, tomava conta da minha alma novamente.

E até que conseguisse me recuperar novamente, tive aquele momento de me sentir sem forças, sem ânimo, sem fé. Tudo era intenso, minha dor era tão intensa, mas eu precisava de qualquer forma, arrancas forças de onde fosse, para descobrir como ajudar minha filha.

Quando terminamos o tratamento, passamos pelo mesmo processo de antes, meus seios não produziam mas a quantidade suficiente de leite para saciar a fome dela e tivemos que voltar mais uma vez com o Neocate.

Aos 4 meses, Sophie acordou e decidiu que não queria mais mamar no peito, ela rejeitava o meu leite, e até fazia ânsia de vômito. Foi difícil aceitar sua decisão, insisti por dias e ela recusava em todas as tentativas. Entrei em contato com a sua Gastro e contei o que estava acontecendo. Porque ela não queria mais o meu leite. Depois de tantos sacrifícios, renúncias, doação e dor??

Ela então me disse algo que embora doloroso, ao mesmo tempo foi libertador.

Ela disse:

Nici, cada criança tem o seu tempo, ela mamou até enquanto quis e você pode ter certeza de que fez tudo o que podia e não podia, para manter a qualidade do seu leite. Vocês criaram um vínculo nos 4 meses de amamentação, que foi um tempo ótimo para que além de construírem um relacionamento, ela pôde receber todos os nutrientes necessários. Não se julgue, não se culpe, sinta-se orgulhosa. Sophie completou o seu ciclo e o vínculo continua.

Não esqueço destas palavras e com lágrimas nos olhos, fechei este ciclo. Hoje, quando me reporto aquela época e vejo o quanto Sophie e eu somos conectadas de corpo e alma, sinto que realmente o fato de eu não ter conseguido amamenta-la da forma que sempre sonhei, não afastou ou de forma alguma foi motivo para que nós duas não conseguíssemos ter a cumplicidade que temos, só de olhar uma para outra.

O amor que ela é capaz de demonstrar para mim todos os dias, faz com que eu tenha certeza de que cumpri o meu papel durante esta fase e só me dá forças para ultrapassar qualquer barreira e dificuldades que sei que ainda virão. A final, cuidar de um ser que depende exclusivamente de um outro ser chamado Mãe, não é fácil, mas não é fácil mesmo! E muito menos é aquela poesia toda que todos pintam por aí.

Ser mãe não é nada fácil, mas é a melhor benção que uma pessoa pode receber. E com ela vem uma força, uma coragem que você nem imagina, você se torna outra pessoa. Uma pessoa muito melhor.

 

Por isso, não se culpe se você está vivendo algo em comum ou igual, ou até pior ao que eu vivi, se preocupe em criar laços com a sua cria, existem muitas formas para se fazer isso, e você com TODA CERTEZA deste mundo, saberá como.

Blogueira
Nici Guedes. Esposa do Fabio, Mãe da Sophie. Cristã e Carioca da gema. É formada em Contabilidade, Administração de Empresas e em Direito, mas nunca se encontrou em nenhum processo ou nos números! Encantou-se pelo mundo de casamentos em 2011, e em 2013 criou o Oficina das Noivas e em 2017 se realizou com o Oficina das Mães.

2 Comentários

  1. Rafaela em 21/09/2018

    Olá, Nici!! Mto obrigada por compartilhar sua experiência com todas nós mamães. Minha bebê tem hoje 52 dias de vida , e há 8 foi diagnosticada com aplv. Os principais sintomas dela, são diarréia verde c muco e sangue,cólica e tbem acho que refluxo,pq de vez rm qdo ela briga c meu peito.
    Estou dando apenas lm, e naonão estou consumindo nda de leite e derivados.
    Porém ela vem alternando dias bons e cocis melhores,com dias bem ruins e cocos c sangue d muco.
    Me de uma luz?! Qto tempo demorou pra passarem os sintomas sa sua pequena?

  2. oficinadasmaes em 21/09/2018

    Oi querida Rafaela, tudo bem?
    Imagina, não precisa agradecer, fico feliz que a minha experiência possa contribuir e ajudar outras mamães, como você.

    Bom, em primeiro lugar, quero que receba o meu abraço bem carinhoso, e principalmente quero saiba que tudo isso vai passar!

    Minha sugestão é que você não perca tempo nenhum, procure IMEDIATAMENTE um Gastro Pediatra. Se quiser posso te indicar a médica mais incrível que já conheci, que cuida da Sophie. Esta é a melhor especialidade para traçar um plano de tratamento mais eficaz.

    Em nosso caso, logo que fomos orientadas pela nossa grastro, já fizemos alguns exames iniciais para saber como iriamos proceder, principalmente com a questão do refluxo que também eram BEM intensos, e na verdade pela quantidade de sangue que saía nas fezes dela, não era isso que a preocupava tanto, era mais o Refluxo, por conta da inflamação que ela estava no estômago e esôfago, devido a crise bem ativa da alergia.

    Após os exames, podemos traçar além da dieta restritiva, um tratamento para eliminar a inflamação, que é isso que faz com que a criança sofra na amamentação, perca peso, etc e combinado com a dieta, as dores, os vômitos e os sintomas mais graves, foram melhorando. Quando conseguirmos sair da crise, pode até acontecer do bebê ter alguma reação ou outra, mas nada tão grave, porque tudo está sendo controlado, sabe?

    Como no seu caso, está apenas com o LM, sugiro procurar também uma nutricionista, que esteja alinhada com o gastro. Pois no meu caso, eu fiquei 30 dias sem comer proteínas para acelerar a desintoxicação do meu leite. Mas logo depois pude voltar a ingerir.

    Sophie ficou durante 8 meses ingerindo Neocate, um leite especial para este tipo de tratamento e 4 meses tomando leite de soja (após teste para verificar se ela também não era alergica a soja) e com 1 ano de idade a promessa da minha médica era que Sophie estaria curada, se fizessemos o tratamento todo direitinho. E foi dito e feito, com 1 ano, fizemos o teste e a taxa de alergia no sangue, ainda existia, porém muito baixa e Sophie estava pronta para a introdução gradativa (outro tratamento) do leite comum.

    Passando por este outro processo de reintrodução, hoje Sophie é uma criança que pode ingerir qualquer tipo de leite e proteína. Estou devendo este relato, mas com a glória de Deus, obtivemos a CURA, e tenho certeza que a sua bebê também terá!

    Bom, acho que é muita coisa para falar rs, me coloco a sua disposição por telefone, caso queira conversar mais: 21 98524-0960. Beijinhos com carinho querida.

    Nici.

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